Reflexões de Viagens

📩 CopyLetter – Edição #052

Plaza de Oriente - Madrid, Espanha

Leia a CopyLetter #052 ouvindo:
Stooges — “I Wanna Be Your Dog”

"Nós somos agora mais populares que Jesus"

— John Lennon, março de 1966.

Lembro dessa frase ao ouvir da minha esposa (minha digníssima): "Jesus é um super star, né?!" ao nos depararmos com incontáveis obras sobre ele no Museu do Prado, em Madrid, Espanha.

Primeira coisa que pensei foi:

"Bom, de fato, ele foi um Super Star. E o John Lennon disse que os Beatles eram maiores que ele na década de 60. Então, eles deveriam estar muito grandes".

Mas, curioso que sou, fui atrás das notícias da época e a verdade é que a frase completa é muito mais do que John Lennon tentando se gabar de ser a maior banda de rock do mundo…

"O cristianismo vai acabar. Ele vai diminuir e desaparecer. Não preciso argumentar sobre isso; estou certo e o tempo provará que estou certo.

Nós somos agora mais populares que Jesus. Não sei o que vai desaparecer primeiro, o rock and roll ou o cristianismo."

John Lennon

Esta declaração causou pouca controvérsia no Reino Unido, mas quando foi republicada nos Estados Unidos alguns meses depois, provocou fortes reações negativas, incluindo queima de discos dos Beatles e protestos.

Assim como os "Deuses" dos Beatles sofreram com seus fiéis, acredito piamente que se o super star "menino Jesus" voltasse, ele seria atacado pelos seus fãs mais fiéis no primeiro instante que defendesse pobres, put@s profissionais do lazer adulto e outras minorias.

A Pedra da Loucura

Continuo a caminhar pelo Museu, sem direção, apenas exercitando minha criatividade ao ver de perto obras incríveis — que não tenho a mínima habilidade e conhecimento para avaliá-las.

A ignorância, às vezes, é uma benção.

E no mais alto patamar da minha ignorância, avisto um quadro diferente que me captura imediatamente:

Fonte: Museu do Prado

"La extracción de la piedra de la locura" é uma das obras mais intrigantes do pintor neerlandês Hieronymus Bosch, conhecido como El Bosco.

Pintada por volta de 1494, esta obra representa com ironia e crítica uma cena de cirurgia medieval, na qual um suposto médico extrai a "pedra da loucura" do crânio de um paciente.

Durante a Idade Média e início do Renascimento, existia a crença popular de que a loucura ou estupidez podiam ser causadas por uma pedra alojada na cabeça.

Acreditava-se que esta pedra podia ser extraída mediante cirurgia, embora na realidade isso fosse mais uma metáfora satírica que uma prática médica real.

El Bosco utiliza esta crença para criticar a ignorância, o falso saber e a charlatanaria de seu tempo. Imagina como seria as obras dele hoje, navegando entre falsos gurus e messias do digital? rs

Voltando ao trabalho do El Bosco…

Por algum motivo, ouvi um "sussurro" de que este quadro "La extracción de la piedra de la locura" poderia ser facilmente a capa de um disco do Black Sabbath — especialmente numa fase mais experimental ou obscura, tipo os discos entre Sabotage (1975) e Technical Ecstasy (1976).

Ali, no meio do museu, entre turistas folgados, profissionais e aficionados pela arte, fico imaginando como seria um disco do Black Sabbath com essa temática.

Entre idas e vindas de conversas com IA (o GePeTo, como costumo chamar), fizemos algumas viagens (sem drogas e sem sair do lugar), e aqui está o álbum conceitual que criamos:

Nome do álbum (hipotético): Stone of Madness

Faixas do disco:

  1. Surgeon of the Soul

  2. Embudo Mind

  3. Paranoia Flower

  4. The Nun Watches

  5. Book of Hollow Wisdom

  6. Extraction

  7. Lunatic Lobotomy

  8. Echoes from the Empty Head

Madrid ao Rés do Chão

É a minha primeira vez em Madrid.

Apesar de crescer "ao lado" da fronteira paraguaia e argentina, meu espanhol é sofrível. Vergonhoso, eu diria.

Mas me recuso a conversar em inglês aqui, pois sempre vejo um entusiasmo (e alívio) dos comerciantes locais quando uso meu portunhol ao invés do inglês — principalmente fora do grande centro turístico.

Hospedado em um excelente hotel, mas longe da área turística, eu e minha digníssima resolvemos ir num bar da região. Ali pude ver que parte dos que ali estavam eram muito parecidos com nós brasileiros, falando com emoção, abraçando — E, inclusive, nos presenteando com alguns petiscos e bebidas, somente por estarmos sentado no balcão do bar.

Alguns minutos depois, observamos uma festa de casamento neste modesto bar — pero muy acolhedor.

A nossa tese é que o casal se conheceu ali, naquele bar, por isso resolveram fazer a festa com os amigos e família.

Tirando o grande lateral Cortês que jogou no Botafogo, São Paulo, Grêmio, e que casou num Habib's, não me lembro de outros casos semelhantes.

Geralmente, as festas de casamentos são mais para impressionar os convidados do que realmente proporcionar e celebrar a alegria do casal, salvo raras exceções.

Não sei se foi a cerveja, a sangria, os licores, o ambiente (ou tudo isso), mas gostei muito mais desse "bar de bairro" do que dos famosos bares e Mercadões perto da Gran Via.

Um dia estava no bar do bairro. No outro dia, ao lado do Museu do Prado, fomos nos abrigar do frio, da chuva e matar o que nos matava (a fome) em um restaurante que já recebeu a Michelle Obama. Achei curioso. Contrastes.

Neste início de viagem, estou seguindo uma dieta mais próxima do Hunter S. Thompson — famoso jornalista conhecido por seu estilo de vida excessivo e suas rotinas inusitadas — Sem a parte das drogas, comecei o primeiro dia com um excelente café da manhã regado à cerveja, sangria, vinho e um Irish Coffee para aquecer.

Vale destacar, o Irish Coffee NÃO recebe este nome por conta dos grãos de cafés serem irlandeses, mas sim, por conta da mistura com um whisky irlandês. ☕️ 🥃 

Minha digníssima ficou incrédula com essa informação, nunca tinha ouvido sobre. Então, sorriu pra mim e bebeu meu último gole de Irish Coffee, para tentar se aquecer do frio de uma Madrid chuvosa.

Para mim, a melhor parte de uma viagem é poder andar sem rumo (de preferência longe dos turistas), observar os locais e degustar a culinária deles, seja em comida, seja em bebidas.

Entre essas andanças, acabei encontrando, inesperadamente, a loja de discos subterrânea que estava querendo conhecer.

Discos La Metralleta - Madrid.

Penso em comprar um disco do Pixies e outro do Jimi Hendrix. Aí lembro que só tenho uma mala de mão e uma mochila, falta espaço para o disco.

Mas, para mim, já penso que trouxe coisas demais para os próximos 30 dias. Na próxima, virei apenas com uma mochila.

Rumo à Terra Basca

Próximo destino: San Sebastian/Donostia. Cidade que está na região basca, a 20 minutos da França.

Aliás, que coisa fantástica andar quase 500km sem precisar dirigir ou ficar na correria de check-in de aeroporto.

No trem, pesquiso as principais palavras bascas para me comunicar com os locais, isso sempre encanta…

Basta pensar quando um gringo chega ao Brasil e conversa em português…

Mesmo dizendo poucas palavras, você respeita o esforço dele por tentar aprender algo da sua cultura.

O País Basco, ou Euskal Herria como é chamado em euskera (língua basca), é uma região com identidade cultural fortíssima que se estende pelo norte da Espanha e sudoeste da França.

Os bascos são considerados um dos povos mais antigos da Europa, com uma língua que não tem parentesco com nenhuma outra indo-europeia — um verdadeiro enigma linguístico.

Durante o regime de Franco (1939-1975), a cultura e a língua basca foram severamente reprimidas, com proibição do uso público do euskera, mas o povo basco manteve sua identidade através de tradições como o bertsolarismo (poesia improvisada cantada), o folclore rico e a peculiar gastronomia basca — famosa pelos pintXos (petiscos típicos).

O primeiro impacto ao descer do trem em San Sebastian/Donostia, foi: eu moraria uma temporada aqui.

Saindo da estação e indo até o hotel, cruzamos o mar, uma arquitetura impressionante, bons lugares para comer e com fluxo de pessoas (e turistas) bem menor — sem aquele andar alerta por conta dos batedores de carteiras. 

Ao contrário de Madrid e outras grandes capitais, as ruas aqui estão repletas de "VOVÔS" passeando tranquilamente. O ritmo parece mais lento. A vida é mais leve.

Donostia, como os locais chamam San Sebastián, possui uma das praias urbanas mais belas da Europa, a Playa de la Concha, em formato de meia lua.

Para quem gosta de comer bem, aqui é um “prato cheio" (desculpe-me pelo trocadilho).

A cidade é reconhecida como capital gastronômica, com a maior concentração de estrelas Michelin per capita do mundo, mas também oferece experiências culinárias acessíveis nos bares de pintXos (frios ou calientes) do centro histórico.

A eterna quinta-série NÃO dorme aqui na Espanha.
Me diga: você prefere os pintXos frios ou calientes?

Agora, pretendo desfrutar dessa cidade pelos próximos dois dias, antes de embarcar para a França (de trem).

Caminhando, cantando e seguindo entre o mar, a montanha e a cidade, eu respiro fundo e penso: na próxima, virei somente com uma mochilae talvez, para ficar uma temporada.

Eskerrik asko (Obrigado, em euskera)

Até a próxima edição.

Peace ✌️

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💡Por dentro da Caverna

📖 O que estou lendo: Fútbol Y Patria — Pablo Alabarces

🎧 O que estou ouvindo: Pixies - Gounge Away

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